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tecnopuc hoje

Prédio do Tecnopuc na cidade de Viamão

Agora as pessoas
podem passar aqui
na frente e acertar
seu tempo pelo
nosso relógio”
,
triunfa o administrador do
empreendimento, Júlio Ferst.

Viamão: um habitat para a inovação

O estímulo à integração entre a Academia o setor produtivo é uma das prioridades do Tecnopuc. Outra dimensão do que está sendo pensado hoje para esse ecossistema de inovação é o crescimento da sua infraestrutura e dos serviços que oferece. E, nesse caso, o novo site do Parque, em Viamão, é fundamental.

O espaço no campus central, em Porto Alegre, está próximo da sua capacidade máxima e, ciente disso, a chegada à cidade da Região Metropolitana estava traçada no planejamento estratégico da PUCRS já há algum tempo.

Em 2004, a instituição adquiriu o novo terreno, com 15 hectares, que está inserido em um espaço de mais de 150 hectares da mantenedora da PUCRS. A decisão de desenvolver um novo potencial de Viamão, com fama de cidade dormitório, teve contornos de um épico. Especialmente por se tratar de um pacato município, com 240 mil habitantes. E há dois símbolos desta conquista, alicerçada no conhecimento e na construção de um novo ecossistema de inovação.

Um deles é o relógio no alto da torre do ex-seminário – de formação de padres, filósofos e teólogos da Igreja Católica – onde está instalado o Parque Científico e Tecnológico.

O outro é a bandeira do Rio Grande do Sul, religiosamente hasteada. “Elegi estes dois símbolos como fundamentais para mostrar à comunidade que ia começar vida nova no ex-seminário”, comenta o gestor.

Ele recorda os anos da implantação enquanto admira o vasto hall de
entrada do edifício principal, devidamente revitalizado e convidativo.
O movimento foi acompanhado de uma transformação física das
instalações construídas, que somam mais de 30 mil m².

“Desvestimos o ar antigo para aprumá-lo com uma atmosfera de modernidade”, comenta. As obras se intensificaram em 2012 até a inauguração oficial, no segundo semestre de 2013.

Uma odisseia

O Tecnopuc Viamão é um ecossistema de novas apostas, e um exemplo disso é o Centro Tecnológico Audiovisual do Rio Grande do Sul (Tecna). Mas, antes disso, alguns estigmas precisariam ser enfrentados e, se possível, eliminados. Um deles era a própria localização, o desafio de tornar a área de expansão do Tecnopuc atrativa a grandes empresas, reproduzindo o sucesso do pioneiro site da capital gaúcha, onde tudo começou.

O problema não estava no projeto do Parque e nem nas novas instalações e, sim, na região e sua tradicional dificuldade de atrair investidores e mão de obra.

Grupos grandes vinham conhecer o ambiente, se apaixonavam e me provocavam com uma pergunta: “Vamos criar
300 a 400 vagas, vai ter gente para contratar?”
,
relembra Ferst.

Diante de limites compreensíveis, e que não seriam removidos da noite para o dia, o grupo de implantação de Viamão focou-se em atrair pequenos empreendedores e candidatos à incubação com grande potencial de crescimento. Além disso, percebeu-se que era preciso inserir todas as esferas do município nessa nova empreitada, não só seus moradores, mas gestores públicos.

Para buscar empresas, pequenas ou grandes, era preciso uma política local de incentivo à inovação. Os gestores do Tecnopuc se uniram ao município para ajudar a constituir uma legislação que aportasse vantagens para as companhias que decidissem se instalar ali. Um exemplo foi a alíquota do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), que passou de 3% para 2% a segmentos relacionados às atividades do Parque.

O município, enfim, definia uma política para ser realmente competitivo nessa área da tecnologia. No Tecnopuc Viamão, não só a cadeia do audiovisual terão lugar, mas áreas de pesquisa e serviços em fontes alternativas de energia, óleo e gás, tecnologia da informação, engenharia e saúde.

Na carona da mudança na percepção das autoridades e lideranças da comunidade, empreendimentos imobiliários e residenciais e comércio, como um shopping center próximos ao Parque, passaram a proliferar.

O Vice-Reitor da PUCRS, professor Doutor Irmão Evilázio Teixeira, diz que a Universidade atua como um elemento do desenvolvimento econômico e social e, por isso, a contribuição com o município de Viamão é tão importante.

Irmão Evilázio Teixeira,
Vice-Reitor da PUCRS

“Essa interação proporciona a movimentação da economia local, atrai empreendimentos de diferentes portes e áreas de atuação e promove a formação de pessoas. Para isso, contamos com uma rede formada pela conhecida tríplice hélice”, observa, exemplificando que a Universidade consolida seu papel como vetor de desenvolvimento quando conta com a cooperação do poder público e a parceria do setor produtivo.

E a ideia de que os moradores de Viamão não precisariam mais sair da cidade para conseguir uma ocupação passou a se tornar realidade.

Os precursores

A ocupação do Parque Científico e Tecnológico em Viamão cresce a uma velocidade de 20% ao ano. Em julho de 2014, havia 23 empresas em plena operação, gerando 180 empregos. Entre 2011 e 2012, mesmo antes de inaugurar, o ambiente recebeu 11 incubadas.

A Sourtec, empreendimento constituído por jovens formados nas fileiras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fincou a bandeira como precursora da expansão Viamão. O foco do trabalho é fazer a análise de corrosão de dutos de passagem de petróleo e desenvolve uma tecnologia que ajudará a Petrobras a explorar com menos custos a imensidão das reservas de óleo da camada pré-sal no litoral brasileiro.

Paciência é uma virtude numa empreitada como a conquista de Viamão. O administrador e todos que participaram dos primeiros anos merecem um troféu. Aos poucos, novos participantes da família do Parque foram adentrando. Cada novo integrante que chegava era recebido com um churrasco, uma espécie de ritual de boas-vindas.

Os meninos vieram aqui
e acharam interessante o
prédio velho (foi antes da
revitalização), pediram
um cantinho,
estacionaram seu
contêiner de pesquisa e
não saíram mais”
,

conta Ferst, orgulhoso dos novatos.

Para Ferst, a fase dos primeiros ocupantes, até 2013, foi a de nascimento do Parque.
“Em 2014, demos início à infância. E o bom é que aqui temos muito espaço para construir.
Não consigo imaginar qual é o limite da nossa capacidade”
, acrescenta, otimista.

O ecossistema

A vasta construção do ex-seminário é um teste à mobilidade dos habitantes e visitantes do Tecnopuc Viamão. Elevadores estão sendo instalados para encurtar deslocamentos entre os andares. Mas, o mais interessante é percorrer os corredores largos que conectam toda a extensão de bicicleta ou de patinete. Os meios de transporte, ajustados à etiqueta de sustentabilidade incorporada ao Tecnopuc em Viamão ou em Porto Alegre, são usados por quem trabalha nas empresas ou pelo staff.

No centro da área da edificação, está o espaço ao ar livre, ladeado pela edificação e vigiado pelo relógio da torre, com jardins que devem ganhar a companhia de áreas de convivência, dotada de cafés e mobiliário para descanso nos intervalos de trabalho ou para novas interações. O Tecnopuc Viamão já começou a inovar. É o presente e o futuro do Parque Científico e Tecnológico da PUCRS.

Queríamos mergulhar em modelos para confirmar o que estávamos pensando. Isso nos deu segurança de que o Tecna está dimensionado para rapidamente ser ocupado por operadores. Vamos produzir e gerar riqueza material e imaterial”, entusiasma-se a coordenadora. O Arranjo Produtivo Local (APL) do audiovisual gaúcho estava pronto para fazer a sua própria história.

luz, câmera e Tecna!

Um antigo seminário de educação religiosa virou cenário para o ambicioso complexo de indústria criativa, que teve largada no Tecnopuc Viamão. Essa é a missão do Centro Tecnológico Audiovisual do Rio Grande do Sul - o Tecna, lançado em 2011, em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul e a Fundação Cinema do Rio Grande do Sul (Fundacine).

Os ambientes da construção, com salas de pé direito elevado e até um teatro dotado de um órgão de fole exuberante, aportam componentes inspiradores ao projeto que promete mudar a face do setor. Em pouco tempo e com a lente focada na cena global.

Antes de começar a narrar em detalhes o roteiro do Tecna em formação, prepare-se para um passeio pelos bastidores que resultaram na concepção e viabilidade do empreendimento. Desde a década de 1980, o segmento gaúcho ligado ao cinema, documentários e outras modalidades acalentava o desejo de ter um lugar para chamar de seu. As criações e a qualidade dos trabalhos desenvolvidos por profissionais com raízes locais sempre foram reconhecidas pelo mercado e em festivais nacionais e no exterior. Entretanto, o volume de projetos só aumentava no eixo Rio-São Paulo.

Essa história tinha de mudar.
“Temos um celeiro de talentos aqui” define a coordenadora do centro e professora da Faculdade de Comunicação da PUCRS, Aletéia Patricia Selonk. O jeito foi destravar obstáculos. Os agentes indicavam a necessidade de ter infraestrutura para produzir localmente, com equipamentos, estúdios e áreas devotadas à produção audiovisual. O desafio era tornar o projeto concreto.

A primeira versão ganhou nome de Centro Tecnológico de Produção Audiovisual (CTPAV), com apoio de governos e do setor, que já tinha estabelecido a Fundacine. O CTPAV precisava de uma casa, que chegou a ser cogitado para o Cais Mauá, centro de Porto Alegre. Isso foi 2006, e o destino do polo mais parecia longa-metragem, com desfecho incerto.

A PUCRS decidiu entrar no páreo e acabou selando um convênio com o Estado e a Fundacine, oficializando a cedência de uma área para os criativos do mundo audiovisual. Outro movimento foi consolidar a fonte de recursos dos R$ 25 milhões que viriam por meio de emendas parlamentares no Congresso Nacional, para colocar em marcha o empreendimento. Entretanto, nada foi fácil.

“Entrei em setembro de 2010 para colocar a mão na massa, mas veio o contingenciamento do orçamento da União e voltamos à estaca zero”, recorda Aletéia.

A equipe da PUCRS e do Tecnopuc usou e abusou da criatividade para reverter esse problema. Antes de moldar a estratégia e os contornos do Tecna, o grupo gestor do Parque e da Universidade percorreu polos no exterior. Foram visitados centros de audiovisual na França, Itália, Espanha e Alemanha. Juntos, conheceram velhas áreas e distritos de fábricas destinados ao setor e com políticas que uniam agentes de diferentes origens. É o conceito de cluster que, no Rio Grande do Sul, tem o Tecna como protagonista.

Indústria criativa

O Centro Tecnológico Audiovisual surge da expertise da PUCRS em captar financiamento com bons projetos. O Tecna molda-se definitivamente pelo espírito dinâmico e ágil, com o sangue da inovação, virtudes do Tecnopuc. O que os idealizadores deste projeto esperam é que a iniciativa se torne referência para a indústria criativa e para o audiovisual.

O combustível para alimentar a árvore somava em 2014 aproximadamente R$ 27 milhões, sendo R$ 11 milhões da Finep, R$ 7,7 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), R$ 3,3 milhões de editais de fomento à indústria criativa e a parques tecnológicos e R$ 5 milhões da PUCRS, como contrapartida dos investimentos públicos e privados.

Na governança do centro, haverá um comitê externo, que terá agentes do setor audiovisual, governos e instituições de pesquisa.

Novos modelos de economia no mundo passam pela chamada indústria criativa, e o ramo de audiovisual procura seu lugar. O Rio Grande do Sul começa a desenvolver a sua base instalada. No Tecna, as possibilidades se multiplicam.

“Cinema, televisão, teatro, moda, publicidade, jogos digitais, aplicativos, internet. E imagine isso em uma cadeia econômica como um todo – criação, produção, distribuição e comercialização”, detalha Aletéia.

Convergência é outro mantra, ao aliar mídias, mercados consumidores e seus produtos e serviços e áreas de conhecimento, que se descortinam entre educação, engenharias, ciências humanas e sociais e saúde.

Construção

As obras para montar o principal cenário do APL começaram em 2011, após o comunicado oficial da estreia do Tecnopuc Viamão. A coordenação do projeto estruturou a ocupação com laboratórios com pesquisa acoplada e uso compartilhado entre os agentes. A ideia é ter interação da Academia, setor produtivo e governo.

Uma das prioridades será formar capital humano, com capacitação de técnicos a ocupações de linha de frente nas áreas de audiovisual. O ecossistema que está sendo criado permite uso compartilhado, com empresas desenvolvendo projetos e ocupando ambientes para criar cenários, fazer gravações e pós-produção. Os estudantes terão infraestrutura à disposição e poderão aplicar conceitos que recebem na formação.

A Universidade
aponta ao mercado,
e o mercado para a
instituição. Isso gera
inteligência para
desenvolver o setor”
, delineia a coordenadora do Tecna.

A área de laboratórios terá pré-incubadora criativa, acoplada ao conceito da Raiar.

“Receberemos projetos de players, que terão consultoria e formação para torná-los mais consistentes a fim de seguir adiante e fortalecer suas ideias. Serão as nossas residentes”, acrescenta Aletéia.

Nessa estrutura, estão projetados dois estúdios de cinema e televisão, salas para pré-produção, figurino, cenários, camarins e guarda de equipamentos. Os recursos permitem que o planejamento e a execução de um audiovisual sejam feitos no ambiente do Tecna. O centro terá estúdio laboratório de mixagem de som, outro de motion caption (tecnologia que mapeia movimentos para uso em animação e efeitos especiais), estúdio de animação e jogos digitais, tudo suportado por máquinas potentes de processamento de dados. Projetos de pesquisa que já são desenvolvidos na Faculdade de Comunicação Social da PUCRS (Famecos) vão migrar para a nova casa.

Um estúdio de mixagem 5.1 permitirá finalizar em Viamão o que hoje só pode ser feito em São Paulo, ou em cidades de países próximos, como Buenos Aires e Santiago do Chile. Isso deve atrair projetos de fora do Estado, que terão nas instalações do Tecnopuc mão de obra e inteligência para dar conta das empreitadas.

Este empreendimento criará condições para que a indústria gaúcha se habilite com mais fome e estrutura a recursos do Fundo Setorial do Audiovisual.

Além disso, a nova legislação para a TV paga (Lei 12.485), de 2012, determina que pelo menos 2 mil horas por ano devem ser supridas por produções nacionais.

O Tecna aquecerá o mercado regional e poderá ser fornecedor significativo de volume de produção. Inspiração e referências não faltam.

"Observamos o
mercado nacional
e internacional e
essa perspectiva
global nos
permite pensar
no futuro que
está chegando
,
diz Aletéia.

Box Brazil aposta em programação independente

A cadeia econômica do audiovisual exige várias fases, que vão da criação à exibição, para que as obras possam chegar ao público e tornar-se viáveis. A sinergia entre essas etapas, aliás, é parte do desenvolvimento visionário que acontece no Tecna. E um case importante é a Box Brazil, programadora independente e multiplataforma voltada à distribuição e exibição de conteúdo audiovisual brasileiro.

Instalada no prédio Portal Tecnopuc, em Porto Alegre, a empresa conta com seis canais. Quatro deles são voltados para o mercado brasileiro e estão disponíveis em diversas operadoras de tevê por assinatura. Os outros dois têm como foco os telespectadores de países africanos de língua portuguesa, como o Só Novelas. Todos são transmitidos diretamente da estrutura da Box Brazil, no Parque.

“O nosso compromisso é fomentar o crescimento da produção independente brasileira, abrindo espaço para que chegue aos telespectadores por meio dos nossos canais. Desta forma, optamos por incentivar as produtoras em vez de produzir conteúdos”, explica o diretor-presidente da Box Brazil, Cícero Aragon.

Entre os desafios está a mudança de percepção do público em relação ao audiovisual nacional, em especial ao cinema. Nesse sentido, o canal Prime Box Brazil dedica-se exclusivamente à apresentação de filmes e séries produzidas nos últimos 12 anos, que tenham apurado senso estético e uma exemplar qualidade de som e imagem.

A empresa também buscar desenvolver uma forte relação com a produção gaúcha, sendo uma importante janela para a exibição de conteúdo local. Desta forma, torna-se a ponta-de-lança de todo o cluster audiovisual gaúcho estimulado pelo Tecna, integrando e fomentando toda a cadeia.

“Temos com o Tecnopuc uma relação que vai além da nossa presença física no Parque. É a sinergia de estarmos próximos a um ambiente como o Tecna, que a cada dia agrega mais atores do cluster audiovisual gaúcho”, comenta Aragon.

Outro reflexo da parceria é a constatação de que, apenas em três anos, a Box Brazil já é a segunda maior programadora nacional e a maior entre as independentes. Também é a única multicanal que não envia seus sinais via satélite do Rio-São Paulo.

“Embora seja um desafio estarmos fora do eixo e precisarmos constantemente investir na qualificação profissional, dada a especificidade de nossa operação, a nossa presença no Rio Grande do Sul se justifica pelo alinhamento de projetos e ideias do Tecnopuc, pela inovação, pela cqualidade e pelo desejo de contribuirmos para o desenvolvimento da cadeia produtiva do audiovisual do nosso Estado”, afirma o diretor-presidente.

Uma das apostas da Box Brasil é consolidar seu projeto original de tornar-se efetivamente uma programadora multiplataforma, disponibilizando seus canais e conteúdos além do mercado de tevê por assinatura. “Iremos oferecer nossos canais e conteúdos onde a pessoa estiver e quando ela desejar”, conta Aragon.

Entre os aplicativos em desenvolvimento estão aqueles para Set Top Box, Smart TVs e dispositivos móveis, além de plataformas online com conteúdo on demand na internet.

dimensões que balizam o crescimento

internacionalização

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